segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Nascimento das Trevas - Uma História de Vampiros - 3ª Parte - Final
Escrito por: Cleucy de Paula Silva Araújo Lourenço



1)    Amado pelas trevas.
Parecia ser tarde da noite, pois pelas janelas entrava uma brisa fria e a escuridão no quarto era densa apesar das cortinas estarem totalmente abertas. Num canto do quarto, uma velha criada dormia tão pesadamente que parecia morta.
Ivanovich tentou mexer-se na cama, mas notou que seu corpo não se movia. Sentia-se como se cada membro pesasse uma tonelada e definitivamente não poderia se mover. Fechou os olhos um pouco confuso, tentando lembrar-se de onde estava. Aos poucos percebeu que era seu próprio quarto. Sentia dores na cabeça. O que acontecera?
- Olá, Ivan – uma voz aveludada se fez ouvir nitidamente em sua mente apesar de não poder visualizar seu interlocutor. – Estava esperando que acordasse.
Ivanovich tentou mexer-se mais uma vez, era impossível. Desconfortável, suspirou algumas vezes tentando falar, mas não conseguiu. Apesar da dor e da confusão, varias perguntas se formavam em seus pensamentos. Onde estava Illyana? Lembrava-se vagamente da briga com o pai e sabia que a esposa estava machucada, porém, o que acontecera consigo mesmo? Por que estava naquela cama?
- Acalme-se, Ivan. Sua esposa está viva! – Novamente a voz de veludo se fazia ouvir despertando mais o raciocínio do príncipe. – Porém, teu filho jamais verá a luz do sol.
Ivanovich arfou um pouco diante da revelação (ou sua respiração estava mesmo falhando antes disso?). Seu filho havia morrido? E quem era aquela pessoa que lhe falava com tanta intimidade? Não conseguia ver ninguém de onde estava e tampouco conseguia reconhecer a voz que lhe falava com uma calma quase prazerosa enquanto lhe dava aquelas notícias funestas.
- Sua cabeça foi rachada em duas, Ivan. – a maneira como aquilo soava o fez se arrepiar em pânico – Logo a vida se esvairá de seu corpo.
Ivanovich percebeu que a voz vinha de trás de si. Tentou mais uma vez mover a cabeça para olhar seu arauto de morte, mas falhou novamente. Percebeu o grande espelho que ficava diante de sua cama, do outro lado do quarto. Poderia usá-lo para espiar e descobrir de quem se tratava, mas de nada adiantou. Não havia ninguém ali, apenas a voz masculina aveludada que parecia sentir um certo prazer diante de sua desgraça.
Ponderou se não estaria tendo uma alucinação. A parte de que estava ferido lhe parecia bem real, mas a inexistência de um ser ao seu lado enquanto o ouvia falar claramente o fez duvidar de sua sanidade. Mas o ser etéreo que parecia ouvir cada pensamento do príncipe adiantou-se em respondê-lo mais uma vez:
- Você não está sonhando, nobre príncipe, e tampouco sou fruto de sua imaginação. Sou um amigo mais antigo do que você pode supor, mas nunca me fiz conhecido a não ser através de suas tragédias pessoais.
Instantaneamente, como um pesadelo real, cada uma das tragédias em família foram tomando forma em sua mente como se encenados em um teatro macabro e realista e, a cada fato revivido sofrivelmente pelo herdeiro do czar, um único culpado se delineava como um ser palpável e real, como se a morte fosse criando um corpo diante de si.
- Por... quê? – o som disforme que conseguiu balbuciar em nada se parecia com a sua voz.
- Há tempos que acompanho a cada passo seu, no intento de testar-te e provar a mim mesmo que você é o meu escolhido.
Pouco a pouco a figura de um homem alto e elegante foi se materializando ao seu lado como se saísse das próprias sombras que se estendiam da janela até o lado da cama. Seus olhos escuros e profundos o observavam com o fascínio do pai que mirava seu bebê recém-nascido e ele falava com empolgação quase orgulhosa sobre sua existência imortal e sua escolha pelo príncipe da Rússia para ser o seu herdeiro, sua cria.
Um vampiro. Ivanovich já lera um pouco sobre algumas lendas, mas aquilo era muito absurdo. Novamente fatos íntimos relatados pelo outro o fizeram crer de que não se tratava de uma ilusão, era real e estava diante de si.
- Não há mais um lugar para você entre o mundo dos vivos, Ivan. Mas se tu quiseres, as sombras serão a tua nova casa e tua existência será tão perene quanto tu mesmo desejares.
A respiração de Ivanovich falhou mais uma vez o fazendo perceber que realmente a vida começava a abandonar seu corpo destruído. Sentiu dentro de si a revolta de um jovem que teria todo um futuro pela frente, mas que fora destruído pela obsessão de seu cruel progenitor.
- Você lutou bravamente por sua vida, Ivan. – o homem se inclinou sobre ele quase sussurrando – Mas nem ao menos poderá vingar teus sonhos destruídos, caso queira abrir mão de tua existência.
O príncipe fechou os olhos novamente sentindo o ar se escassear cada vez mais fazendo a cabeça latejar. Seu pai, o monarca, sairia impune dos crimes cometidos. Seu filho assassinado, sua mãe negligenciada e ele próprio, o filho açoitado até a morte, nunca poderiam descansar em seus túmulos pois não haveria justiça nem vingança para suas mortes.
- Porém, caso desejes me seguir, poderá ensinar a Ivan Vassilievich o verdadeiro significado da palavra poder.
Olhou mais uma vez para o vampiro o encarando com os olhos injetados de sangue por causa da hemorragia cerebral. Poder... Sim, Ivanovich fora criado para ser o homem mais poderoso da Rússia, homem para quem os limites não existiam. Agora um poder ainda maior lhe era oferecido através de um ser tão inusitado.
- Por...que... eu...? – vencido pela morte, apenas esperava constatar o que provavelmente já sabia.
- Digamos que... – o vampiro se inclinou por cima dele o olhando nos olhos de maneira lasciva com um sorriso nos lábios – as trevas se enamoraram de ti.
Ivanovich, então cerrou os olhos em sinal de aceitação e pouco depois seu mundo se desfez em sombras e sua existência humana desapareceu para sempre da face da terra. A Rússia havia perdido seu amado príncipe. Mas o mundo das trevas ganhava aquele que viria a se tornar um de seus mais temidos líderes. Morria Ivan Ivanovich, mas renascia Alexei Romanov. Um nobre russo, herdeiro do nome e das posses da amada czarina Anastacia Romanovna. A sombra que perseguiu, enlouqueceu e, por fim, destruiu Ivan, o terrível...


Fim....
Ou não....
Talvez seja só o começo de uma sombra eterna...




O Nascimento das Trevas - Uma História de Vampiros - 2ª Parte
Escrito por: Cleucy de Paula Silva Araújo Lourenço






1)    O herdeiro do czar.
Havia crescido assim, como se a sua vida fosse a coisa mais valiosa do mundo inteiro, afinal, ele era o aclamado herdeiro do grande czar Ivan, o terrível. O primogênito nascido e criado unicamente para guiar o império Russo de volta a tempos de prosperidade e sensatez como uma das maiores nações perante a todas as outras do mundo.
Mas, apesar dos cuidados excessivos, Ivan Ivanovich nem de longe era um rapaz mimado ou de índole duvidosa. Antes, era um homem de caráter forte e atitudes firmes, mas era também gentil e justo em seus julgamentos. Do pai, herdara um gênio forte característico dos que nasceram para liderar e, da mãe, recolhera as atitudes amorosas e o cuidado com os que dependiam de si, além dos modos discretos e belas feições que pareciam ser esculpidas no gelo.
Inteligente e vivaz, Ivan Ivanovich gostava de passar suas horas aprendendo e lendo os escritos trazidos de fora. Em pouco tempo aprendeu a ler, escrever e falar em outras línguas além da sua própria e logo as barreiras diplomáticas se tornavam tênues diante de sua perspicácia e de sua paciência. Tornou-se alguém para quem os limites de pensamento eram praticamente inexistentes. Visionário e hábil com a oratória, mesmo muito jovem já se podia vislumbrar um pouco do genial monarca que se tornaria.
No entanto, apesar do brilhante futuro que se delineava diante do caminho do herdeiro do czar, desde muito cedo o jovem príncipe teve de aprender a lidar com todo tipo de tragédias que vez ou outra assolava a vida da família real. A principal dessas tragédias, sem dúvidas foi a perda da mãe envenenada quando Ivan ainda era muito jovem, e que acarretou na total mudança do pai que se tornou frio, paranoico e cruel, mesmo quando se tratava dos próprios filhos.
Porém, apesar das mudanças de comportamento do pai e das constantes agressões sofridas devido a essas mudanças, Ivan se manteve sereno e equilibrado, como se fosse apenas uma muralha de gelo em meio a uma tempestade de neve. Nada parecia atingi-lo em absoluto e, por isso, chegou à idade adulta carregando em si as esperanças pessoais e de seu povo de que o reinado de terror chegaria ao fim.
Apesar de sua vida permeada por perdas irreparáveis, Ivan Ivanovich não era homem apegado a supertições ou a crendices e por isso, quando conheceu uma jovem que o encantou, permitiu-se amar e acabou por unir-se a essa mulher. Illyanna Yarkova era a pessoa mais incrível que Ivanovich conhecera em toda a sua vida. Jovem de beleza inigualável e gênio inquieto, era como fogo em um dia muito frio e Ivanovich a amava de alma e de coração.
No entanto, Vassilievich não aprovava a união de seu primogênito e a jovem Illyana e, por isso, sempre encontrava uma maneira de entrar em conflito com a moça. Inicialmente, Ivanovich relevava a atitude persecutória de seu pai em relação à moça. Acreditava que a paranoia do pai não traria consequências para si e para sua jovem esposa.
Foi então que Illyana engravidou. A notícia de que seria pai deixou Ivanovich em tal estado de graça que, pela primeira vez, as tragédias vividas durante toda a vida pareciam um pesadelo distante. Nem mesmo os surtos paranoicos de Vassilievich eram capazes de tirar o príncipe do sério. A vida se tornara perfeita e cheia de cores como uma belíssima aurora boreal.
Um dia, porém, quando Illyana entrara no quinto mês da gravidez, a afortunada mãe, empolgada com a imagem de suas formas que começavam a dar os claros sinais da vida que se desenvolvia dentro si, vestiu-se com um traje que lhe modelava a barriga ressaltando a forma arredondada e evidenciando a gravidez já adiantada. Porém, Vassilievich não viu com bons olhos a atitude da nora. Achou que sua conduta era inadequada e suas roupas escandalosas. Apesar de aborrecida, Illyana ignorou os impropérios proferidos pelo sogro, sua felicidade era tamanha e tudo o que ela queria era que Ivanovich a visse, linda como estava.
No entanto, Vassilievich irritou-se ainda mais ao ser ignorado e sem qualquer sinal prévio, atacou a moça com sua bengala de ferro a acertando diversas vezes principalmente na barriga, enquanto bradava aos quatro ventos que o filho bastardo de Illyana nunca tomaria o trono que pertencia a seus filhos.
Por sorte, Ivanovich chegara naquele mesmo momento e, vendo a agressão sofrida pela esposa, se precipitou para cima de seu pai interrompendo o espancamento e salvando Illyana das garras do louco czar. Illyana estava num estado lastimável. Sangrava muito e gritava de dores enquanto segurava a barriga sentindo contrações precoces. Num repente, toda a felicidade parecia se converter mais uma vez numa sombra densa e palpável, como se as trevas se enamorassem dele e reclamassem para si o homem que lhes pertencia.
 Ivanovich encontrava-se novamente num inferno de escuridão. Mas não! Recusava-se a aceitar essa realidade imposta por um pai louco e paranoico que chegara ao limite de sua crueldade. Assim, mal livrou Illyana das garras de Vassilievich, meio cego pelo medo de perder sua amada esposa, jogou-se para cima do pai que investia novamente contra a moça. Porém, seu intento fracassou. Vassilievich, apesar da idade avançada, era, além de um monarca, um guerreiro, e sua força e habilidades superavam em muito as do jovem príncipe que nunca precisara estar em uma batalha real.
Tudo se passou tão rápido que Ivanovich mal sentiu o golpe. Apenas sentiu o corpo se entorpecer em choque e o líquido grosso descer por sua testa turvando-lhe ainda mais a visão. Não sentiu nem mesmo o baque de quando foi ao solo e nem ao menos distinguiu os gritos desesperados dos amigos e criados que chegaram para socorrê-los. Tentou procurar Illyana com os olhos, mas tudo o que pôde ver foi a sombra disforme que o envolvia em seus braços como uma mãe que embala seu bebê.

Mas Ivanovich não estava pronto para se entregar. Vagou pelas sombras por tanto tempo que ele mesmo não tinha noção do quanto. Precisava resistir, precisava lutar, por Illyana, por seu filho. Não deixaria a escuridão levá-lo, não se entregaria à fria mortalha que se estendia diante de si pelas mãos da ceifadora de almas. Então, quando as forças pareciam escassas e um único caminho se delineou diante de si, num ultimo esforço, Ivanovich abriu os olhos...
O nascimento das trevas - Uma história de Vampiros - 1ª Parte


Rússia Século XVI

O mundo todo presenciava as maiores mudanças já vistas, até então. A descoberta do novo continente era a maior prova da superioridade humana e a expansão marítima prometia a ascensão das mais fortes nações do planeta.

Da mesma forma, a recém-formada Rússia se tornara um império forte e soberano sob a tutela de Ivan, o terrível, o implacável czar russo que governava com punho de ferro e espalhava o terror entre seus inimigos e entre seus próprios amigos. Coroado aos 16 anos como primeiro Czar russo reconhecido e abençoado pela igreja ortodoxa, era, inicialmente, chamado de Ivan Vassilievich e trouxe tempos de prosperidade a seus súditos conquistando territórios e expandindo seus domínios antes de finalmente levar o terror à Rússia perseguindo e matando a quem quer que ele imaginasse se opor a seu reinado.

Além da prosperidade que a maioria alcançou com o reinado de Ivan Vassilievich, o czar mandou trazer de outros países manuscritos raros e impressoras para poder disseminar a cultura e mostrar às outras nações que a Rússia não era um país atrasado e bárbaro. Somente depois de algum tempo e após a morte de sua amada Anastácia Romanovna, que fora envenenada, é que o reinado do terror se iniciou.

Esta é a história da Rússia que você pode encontrar em qualquer documento existente nos arquivos da humanidade, porém alguns fatos foram omitidos de todos por óbvias tentativas de se ocultar a sombra que paira sobre a humanidade desde tempos imemoriais.

Por isso, a história aqui relatada não é somente mais uma história sobre a constituição de um grande império erguido por um implacável monarca. Tampouco é uma história de grandes feitos e de linhagens perenes de uma casa imperial. Não é uma história de heróis e de sonhos.

Quiseram as sombras densas da noite que essa história fosse apenas a história de morte e escuridão. Uma historia em que poucos acreditam, mas que todos temem. Pois se trata da história de como as sombras perenes arrebataram o legatário de um trono de horror.

Cleucy de Paula Silva Araújo Lourenço

Obs: Este texto foi escrito com a finalidade de ser um background de um personagem para RPG de Vampiro, a Máscara.
Baseado em fatos reais.

. Atenciosamente, Sra M.T.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sejam bem vindos à minha casa. A casa de Meara. 
Convido a todos a nos acompanhar nas mais diversas aventuras de RPG jogadas entre amigos que são como irmãos e que são todas gravadas em podcast para nosso e seu deleite posterior.
Espero que se divirtam com as postagens deste blog tanto quanto nos divertimos na criação dessas histórias maravilhosas que o mundo do RPG nos permite criar. 

Aviso aos puristas: 
Lembro a todos que nos baseamos em plataformas de jogos já existentes, mas que nos permitimos adaptar os jogos da nossa maneira e para nossa simples e inteira diversão, sem pretensões de concorrer com nenhuma plataforma já existente, de forma que, podemos jogar os famosos Vampiro a Máscara e Lobisomem, o apocalipse e até mesmo aventuras em D&D, mas sempre adaptando para nossa maior diversão.

Atenciosamente, sra M.T.